Brasil não pode ser visto apenas como fornecedor de alimentos, diz Tereza Cristina
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) destacou nesta quarta-feira (12/3) o papel estratégico da agropecuária brasileira na oferta de soluções ambientais e energéticas para o mundo. A parlamentar enfatizou que o setor não pode ser visto apenas como um fornecedor de alimentos, mas também como um protagonista na produção de energia limpa e na geração de créditos de carbono.
Segundo a ex-ministra da Agricultura, o Brasil tem um diferencial que precisa ser mais bem comunicado ao mundo: a agricultura tropical sustentável. “Ninguém tem isso no mundo. Nós temos isso. Chegamos a isso e não podemos perder essa oportunidade”, afirmou, ao participar do Brasil Summit, evento realizado pelo Lide e pelo Correio Braziliense.
Na ocasião, ela defendeu que a COP30, que acontece neste ano no Pará, não seja apenas “a COP da floresta”, mas sim uma conferência que demonstre a eficiência da produção agrícola brasileira sem desmatamento ilegal.
A parlamentar ressaltou o desafio que a pecuária enfrenta para garantir certificação e rastreabilidade do rebanho, essencial para consolidar o país como referência internacional. “É dificílimo fazer isso no Brasil. Já não é fácil no Uruguai, que tem 14 milhões de cabeças. (No Brasil) Só o Pará tem 25 milhões”, comparou. No entanto, ela reconheceu os avanços já alcançados e destacou que essa certificação pode ser um “case de sucesso” global.
Outro ponto central do discurso foi a necessidade de segurança jurídica para o setor. Tereza Cristina alertou que mudanças políticas não podem gerar retrocessos, prejudicando investimentos e a previsibilidade para os produtores. “Nós não podemos mais conviver com a insegurança jurídica nos mais diversos setores. Mas para a agricultura, isso é mortal, porque temos época de plantar e época de colher”, enfatizou.
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A senadora também abordou a competitividade do Brasil no mercado de biocombustíveis e energia renovável. Destacou que o país já lidera em várias frentes, como no uso da soja para biodiesel e na produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel). Segundo ela, há um discurso equivocado na União Europeia de que o SAF competiria com a produção de alimentos, o que precisa ser esclarecido.
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O Brasil Summit reuniu hoje, no Brasília Palace Hotel, líderes empresariais, autoridades e especialistas do setor econômico e transição energética, para debater as perspectivas para a economia do país.