Polícia encontra R$ 300 mil na casa de ex-prefeito acusado de fraude

A polícia apreendeu mais de R$ 300 mil sem origem comprovada na casa do ex-prefeito de Taboão da Serra, José Aprígio da Silva (Podemos), durante a Operação Fato Oculto. Ele é acusado de forjar um atentado contra si mesmo durante as eleições de 2024, tendo supostamente pago R$ 500 mil a atiradores para simular o ataque. Além do dinheiro, foram recolhidos celulares, computadores e armas na segunda-feira passada (17/2), e o irmão do ex-prefeito, Valdemar Aprígio, foi preso por posse ilegal de armamento. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

Em depoimento, Gilmar Santos de Jesus, que foi preso por envolvimento no caso, revelou que Aprígio pagou R$ 85 mil para que ele comprasse um fuzil AK-47 e desembolsou cerca de R$ 500 mil para os atiradores. O suposto atentado aconteceu uma semana antes do segundo turno das eleições, em outubro do ano passado. No carro blindado estavam o motorista, o ex-prefeito, um assessor e um videomaker, que divulgou um vídeo 30 minutos depois que o veículo foi alvejado por seis disparos. Apesar do impacto das balas, somente Aprígio sofreu ferimentos leves no ombro esquerdo, causados por estilhaços do vidro.

Em um vídeo divulgado pelo Fantástico ontem (23), Gilmar relata que o combinado não era atingir o prefeito, e que receberia R$ 100 mil pelo serviço. Segundo ele, o falso atentado seria apenas um “susto” para alavancar a popularidade de José Aprígio, que estava em baixa. No total, seis tiros foram disparados contra o veículo. Apesar do ocorrido, o ex-prefeito perdeu as eleições.

“Insistiram para fazer do jeito que eles queriam, para parecer um fato real. Eu informei que o fuzil furava blindagem. Se fosse só para chamar atenção, era perigoso atingir alguém lá dentro. Eu não ia fazer isso. Ele falou que não, para eu dar um tempo, que ele ia pesquisar”, relatou Gilmar.

O delator diz ainda que estava acompanhado de Odair Junior de Santana, e que ambos atiraram contra o carro de Aprígio, e logo depois fugiram para Osasco, região metropolitana de SP, para atear fogo no veículo que os conduziu ao crime na tentativa de eliminar provas. Além disso, relata que antes do crime manteve conversas com Anderson da Silva Moura, o “Gordão” , que está preso, e Clovis Reis de Oliveira, foragido. Eles seriam os possíveis mandantes do falso atentado.

Entre os outros investigados no caso, estão três ex-secretários da gestão de José Aprígio: José Vanderlei Santos, que comandava a Secretaria de Transportes; Ricardo Rezende Garcia, responsável pela pasta de Obras; e Valdemar Aprígio da Silva, irmão do ex-prefeito. Além deles, o Ministério Público e a polícia apontam o envolvimento de Cristian Lima Silva, sobrinho de Aprígio.

Se as suspeitas forem confirmadas, todos poderão responder por associação criminosa, tentativa de homicídio contra quatro pessoas, incêndio e adulteração de placa de veículo. Em caso de condenação, as penas podem somar até 30 anos de prisão para cada um.

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José Aprígio da Silva, de 72 anos, construiu sua fortuna no setor imobiliário e fundou uma cooperativa responsável por empreendimentos na cidade. Apesar das acusações, sua defesa nega qualquer envolvimento na fraude do atentado e afirma que ele foi vítima de uma armação.

O Correio entrou em contato com a Polícia Civil, que está responsável pela investigação, mas até o momento da publicação desta matéria a corporação não havia se manifestado. O espaço também permanece aberto para a defesa dos envolvidos.